As cerimônias estão
estreitamente vinculadas com o universo mítico. No
Alto Xingu, há duas espécies principais de
rituais. Existem as festas que recebem o nome de um espírito,
geralmente aquele identificado como causador da doença
que acometeu o promotor da festa, e que se restringem ao
âmbito da aldeia. Os participantes ativos desse tipo
de ritual - dançarinos, cantores e músicos
- representam visual ou musicalmente esse espírito.
As aldeias participantes, no mito, são compostas
de animais que vivem em meios diferentes, como animais terrestres
versus pássaros, ou peixes versus animais terrestres.
Em geral, o que se faz nesses rituais
interaldeias é algo que está descrito em um
mito, mas que não é apenas uma simples repetição
ou encenação sua. O que o rito celebra, de
fato, é a impossibilidade de uma repetição
idêntica: "agora só vai ter festa",
disse o demiurgo ao fracassar na tentativa de ressuscitar
os primeiros seres humanos que morreram, inaugurando assim
a mortalidade. Em suma, o ritual é um modelo icônico
reduzido dos sucessos sobrehumanos descritos no mito.